“Pela primeira vez teremos alguém em favor dos jovens ítalo-brasileiros”

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Em meados de novembro, quando o desembargador Wálter Fanganiello Maierovitch iniciou sua campanha ao Parlamento italiano como deputado, o embaixador Rubens Ricupero se apressou em apoiá-lo. Ofereceu um depoimento envaidecedor, o qual, considerando sua importância como testemunha e protagonista da História do Brasil nos últimos 60 anos, pode equivaler perfeitamente à uma cereja do bolo em qualquer currículo. No rol de láureas, títulos conquistados e postos exercidos, lá apareceria com destaque invejável: recomendação do Ministro Ricupero. Dificilmente haveria algo mais a dizer com semelhante aval.

Naquela época, a educadora Silvana Rizzioli ainda não havia se apresentado como companheira de chapa do desembargador, na qualidade de candidata ao Senado, naturalmente concorrendo pelo partido Liberi e Uguali.

O Ministro Ricupero entendeu que também deveria empreender, por razões expressamente ítalo-brasileiras, o testemunho, que segue abaixo.

Aos 24 anos, Rubens Ricupero era Oficial de Gabinete do então ministro da Fazenda San Tiago Dantas (1911-1964) e tal precocidade dá a sua exata dimensão no universo brasileiro, pois Santiago Dantas foi um desses cometas nativos que iluminaram nosso céu geopolítico. Algo que lembra José Bonifácio, Joaquim Nabuco, Rio Branco…

Ricupero, professor e diplomata, tem um rico acervo atrás de si: trajetória diplomática impecável na qual se alinha a embaixada brasileira nos Estados Unidos; assessor internacional na preparação do Governo Tancredo Neves; representante permanente do Brasil junto à ONU em Genebra e, sobretudo, Ministro da Fazenda do Governo Itamar Franco, quando ajudou a implantar o Plano Real e foi o principal responsável pelo lançamento da nova moeda, o Real.

 

“Identifiquei nas ideias de Dona Silvana Rizzioli o conteúdo concreto e promissor dos projetos que pretende promover em favor da comunidade ítalo-brasileira. Chamou-me particularmente a atenção a boa pretensão de aproximar a juventude ítalo-brasileira do rico patrimônio educacional da Itália, através de acordos, convênios e programas. Isto me fez lembrar de uma viagem que fiz à Santa Catarina, em 1993, quando era Ministro do Meio Ambiente do governo Itamar Franco. Na ocasião, tanto no oeste catarinense quanto em Criciúma, tive contato com os prefeitos da região e os líderes da comunidade, quase todos descendentes de vênetos. Eles cumpriam um programa de estreitamento de relações com os vênetos das comunas, isto é, municípios de origem dos colonos, quase todas pequenas cidades agrícolas nos arredores de  Pádua, Vicenza, Rovigo, Verona… Tive então a surpresa de ouvir que, hoje em dia, as comunas italianas de origem dos imigrantes, atualmente muito ricas, todos os anos destinam bolsas de estudo para que os jovens catarinenses possam ir estudar na Itália, fazendo principalmente cursos profissionalizantes e regressando depois de terem aprendido muitas tecnologias que aplicam na indústria da cerâmica, das máquinas para trabalhar metal, madeira, pedra. Nosso país é extremamente carente de formandos desse naipe. Esses programas de comuna à comuna podem ser extremamente úteis para elevar o nível de profissionalização e especialização dos jovens brasileiros. Um bom exemplo de região que pode ajudar, além do Vêneto, é a Lombardia, que tem muito o que ensinar em relação à capacitação para máquinas de alta tecnologia Nesse contexto, cresce um sentido de pertencimento às comunas, que reforça e/ou faz aflorar o sentimento da italianidade. Talvez nossa comunidade italiana tenha consciência aquém da dimensão de sua identidade. Entendo, e defendo, que o sentimento de italianidade favorece o enriquecimento tanto da nacionalidade brasileira como da italiana entre nossos jovens. Por outro lado, há movimentos muito produtivos nesse processo. Tomemos, por exemplo, o domínio da língua. A língua é um instrumento de trabalho no relacionamento comercial e/ou educacional entre nações, no caso, Brasil e Itália. Vejam o que ocorre em Toronto, no Canadá. Lá se fala italiano regularmente e pode se tirar inúmeras vantagens disso. O fato é que, em relação à Itália, tivemos um empobrecimento cultural. Por isso, a proposta de Dona Silvana Rizzioli, nesse viés, é uma das mais interessantes que ouvi. Devemos trabalhar nesse conceito.

Ela recupera o caminho aberto pelos vênetos. Nesse sentido, e conhecendo o currículo de Dona Silvana, posso dizer que, pela primeira vez teremos no Senado alguém para orientar

os programas da União Europeia associados aos jovens ítalo-brasileiros que vão lá estudar. Trata-se de uma porteira aberta à Europa”.

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