Rizzioli denuncia: Inauguração da sede do consulado de BH foi instrumentalizada pelo PD

Os últimos dias de campanha eleitoral para a renovação do Parlamento Italiano estão agitados bem acima da média, com ataques lado a lado dos candidatos, partidos e coligações em disputa. Mas o ponto mais alto de tudo parece ter sido atingido com a recente visita do ministro Angelino Alfano, das Relações Exteriores, e algumas de suas atividades recentes em solo brasileiro. A inauguração da sede do Consulado da Itália em Belo Horizonte, por exemplo, está sendo instrumentalizada, “para beneficiar o PD – Partido Democrático” e, em especial, o candidato do partido ao Senado Fabio Porta.

Quem denuncia isto é Silvana Rizzioli, também candidata ao Senado, e de Belo Horizonte. “Quero expressar – diz a candidata em vídeo – a minha absoluta indignação em relação à instrumentalização política realizada pelo PD, na pessoa de Fabio Porta e sua equipe por ocasião da inauguração da nova sede do consulado italiano em Belo Horizonte”.

Embora o consulado esteja funcionando na nova sede desde o dia 23 de agosto do ano passado, ela foi inaugurada apenas na última sexta-feira, 23/02, aproveitando a visita do ministro Alfano no Brasil, com a presença do embaixador Antonio Bernardini e outras altas autoridades italianas, além de alguns candidatos ao Parlamento. “Nesta oportunidade – diz Rizzioli no vídeo – foram feitas informações inverídicas em relação ao apoio, que nunca aconteceu, do próprio PD à constituição da nova sede”.

A candidata diz ainda que “também neste contexto foram veiculadas imagens referentes a uma reunião com o Dr. Olavo Machado Júnior, presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais, que desconhecia o cunho político deste encontro”. O vídeo de Rizzioli, aparentemente, foi uma resposta a declarações de Fabio Porta, segundo as quais a inauguração da nova sede do Consulado de BH foi “mérito do PD e do trabalho dele”.

Nos últimos dias de campanha, a coligação “Liberi e Uguali” resolveu partir para o ataque também em outras frentes. Além de pedir a cabeça do candidato ítalo argentino ao Senado, Fernando Barra, pela coligação “Civica Popolare”, a qual aliou-se a candidata Renata Bueno (o argentino é acusado de ligações antissemíticas e racistas desde que foi ministro da Justiça do governo argentino de Carlos Menem), o candidato à Câmara, Walter Fanganiello Maierovitch passou também a “ecoar a voz dos que não receberam cédulas [eleitorais] e não poderão votar”.

Estes, segundo informação que Fanganiello enviou a Insieme, constituem “uma grande quantidade de eleitores” e ele lamenta que o ministro Alfano não tenha uma palavra a respeito: “Nenhuma satisfação aos cidadãos. Uma vergonha”. O problema da falta de nomes de eleitores ativos já em outras eleições nas listas oficiais de eleitores deste ano já havia sido denunciada Insieme pelo candidato Walter Petruzziello (Maie) há algum tempo.

O problema foi levado por Fanganiello ao embaixador Antonio Bernardini que, segundo o candidato, respondeu afirmando que isso o desagrada. “Estamos empenhados em garantir a todos os exercício do direito do voto” e “sabemos que podem existir problemas na entrega dos envelopes eleitorais que frequentemente não dependem da vontade dos cônsules”, teria dito ainda o embaixador a Fanganiello. Mas, acrescentando que “se me fornecer indicações mais precisas, trataremos de intervir para consertar”, segundo o candidato que, ao que informa, levou diversos casos concretos a conhecimento da autoridade.

Segundo Fanganiello, “nos consulados, os que reclamam, não encontram resposta eficaz. Ou seja, não votarão. Numa mesma família, com mesmo domicílio, uma parte recebe e outra não. Alfano não encontrou-se com nenhum cidadão que não está conseguindo votar. Deixou de lado a questão do voto e, mesmo percebendo, o problema que poderá levar à falta de legitimidade [das eleições], silenciou”.

“Apesar de ter jantado com Porta, Merlo (NR – o candidato Merlo nega peremptoriamente ter estado no Brasil durante a visita de Alfano), Longo e Renata Bueno, nada foi tratado” – escreveu Fanganiello em sua página no Facebook. “Como se tudo estivesse na mais perfeita ordem. Por último, estou a protestar antes de encerrada a votação”. Sobre o que chama de “o turismo de Alfano”, Fanganiello publicou esse texto em sua página no Facebook: “Vergonha. O ministro Angelino Alfano mantêm-se em silencio sepulcral e os parlamentares eleitos pelo Brasil limitam-se a lhe fazer a corte. Cidadãos italianos estão sendo excluídos das eleições 2018 ao Parlamento. Não estão a receber as cédulas para votar. E não receberão em tempo hábil.

1. Como todos sabem , a Democracia é um sistema e regime político cujo comando é do povo (demos + kratos). Tal comando se materializa, corporifica, na escolha livre, por sufrágio secreto, dos que irão representar o povo. Numa República – que é forma de governo -, prevalece, ao lado da soberania popular e da igualdade formal de todos perante a lei, a eletividade dos mandatários, com temporariedade dos seus mandatos eletivos. A Itália é democrática e republicana. Ainda mais, ela admite representantes parlamentares dos cidadãos que vivem fora da Itália e em quatro regiões de grande migração. Uma das regiões é a América do Sul: chamada na lei eleitoral italiana de América Meridional.

2. No momento – pelo imperfeito sistema de votação por via postal, com o governo italiano incumbido de promover as eleições no exterior -, estão sendo escolhidos os representantes dos cidadãos italianos residentes no exterior. Na nossa América do Sul houve atraso na distribuição do pacote eleitoral contendo as cédulas (marrom para deputado e verde para senador: para senador só votam os acima de 25 anos), o comprovante de votação, etc. Além do atraso, muitos cidadãos serão excluídos da participação. Eles não conseguirão votar, especialmente os residentes no estado e cidade de São Paulo ( a maior cidade italiana fora da Itália). Sem qualquer comunicação e direito de defesa, esses cidadãos foram excluídos da votação. A maioria não sabe nem o por quê. Arbitrariamente, perderam a cidadania ativa, ou seja, a capacidade de votar.

Em São Paulo, os que têm comparecido à sede consular, por não recebimento do pacote eleitoral, colhem informações surpreendentes. De cabo de esquadra paraguaia, como se diz no popular. Muitas vezes, informações canhestras e despropositadas são passadas pelos funcionários com objetivo protelatório e voltado a gerar conformismos nos cidadãos. A respeito e a título de exemplo, narro dois tortuosos exemplos e sobre fatos que me chegaram: (1) – “Está tudo certo coma sua cidadania, não se preocupe pois o problema está na comuna italiana e já estamos regularizando”. Por evidente, a tal regularização, que não se sabe bem qual seja, só será efetivada depois de 1 de marco, quando encerrada a votação. (2) num exemplo: -“A certidão de nascimento da sua mãe está com problema e precisa ser providenciada outra”: a cidadã em tela votou no último referendo e a sua cidadania formalizada há mais de 20 anos.

Em muitas residências paulistanas, com pai, mãe e três filhos, é comum o pacote eleitoral chegar para dois membros e não ser recebido pelos dois outros. A respeito, parece sorteio de loteria. Enquanto essa situação caótica de verdadeira ‘cassação de cidadania ativa’ se prolonga e se avizinha o fim do processo de votação, espanta haver a tudo isso sido assistido pelo ministro Angelino Alfano, de Relações Exteriores. Ele se manteve no mais antidemocrático silêncio, embora estivesse em solo brasileiro. Para se ter idéia, em Belo Horizonte (Minas Gerais), na sexta-feira passada e enquanto cidades interioranas paulistas reclamavam do atraso na chegada dos envelopes eleitorais com cédulas, o ministro Alfano discursava, na nova sede do Consulado. Vangloriava-se de ser o primeiro ministro italiano a pisar em Minas Gerais. E continuava a nada dizer sobre o caos eleitoral.

Num jantar com os três parlamentares italianos eleitos no Brasil (Fausto Longo, Fabio Porta e Renata Bueno presente também o senador Merlo, eleito pela Argentina – , nenhuma palavra foi levantada sobre os que estavam na iminência de ser excluídos do processo eleitoral ativo. A respeito, Angelino Alfano preferiu o silêncio sepulcral e não foi incomodado pelos parlamentares Longo, Porta e Bueno. Em síntese, uma vergonha.

3. Por último, estou a ecoar a voz dos que serão seguramente excluídos do pleito de 2018. Faço antes do termino das eleições, ou melhor, em 24 de fevereiro, pois, ao aceitar concorrer a uma vaga no Parlamento italiano, como deputado, levantei a bandeira republicana e as da ética e do respeito, sem nunca abdicar da condição de me indignar, como no presente episódio. Wálter Fanganiello Maierovitch, como cidadão italiano envergonhado”.

Em outro vídeo, que juntamos ao primeiro, também postado hoje, a candidata Rizzioli assegura que o ministro Alfano nada falou dos quatro milhões de euros destinados aos consulados, propalados pelo candidato Porta. E pergunta: onde está o dinheiro?

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