Mãos italianas na nossa liberdade

Monumento da Independência

O monumento mais importante do Brasil
veio de um palermitano e de um piacentino

É possível que, para boa parte dos brasileiros, os nomes de Ettore Ximenes e de Manfredo Manfredi não chamem a atenção. No entanto, talvez esses dois italianos passem a ser falados de agora em diante, na medida em que se aproxima a comemoração do bicentenário da nossa Independência, em 1922. Isto se deve à restauração do conhecido Monumento do Ipiranga, em frente ao museu, na capital paulista, que está sendo preparado para a data. Ximenes e Manfredi são os seus criadores. É justo apresentá-los neste espaço dedicado aos ítalo-brasileiros

Ettore Ximenes (Palermo 1855-Roma 1926) foi uma espécie de nômade dos cinzéis. Fez seus estudos de escultura na Academia de Belas Artes da sua cidade, foi professor do Istituto d’Arte de Urbino e, então, saiu pelo mundo. Andou pela Itália, Estados Unidos, Rússia, Argentina e Brasil. Deixou belas marcas nas suas andanças: dois Giuseppe Garibaldi, em Pesaro e Milão; um Dante Alighieri em Washington; um Nicolau II em Kiev; um general-herói Manuel Belgrano e um presidente da República, Julio Roca, em Buenos Aires e o mencionado Monumento da Independência. Ah! O Monumento à Amizade Sírio-Libanesa, na Praça Regueb Chohfi, no início da Rua 25 de Março, também é dele. Ettore deve ter gostado de São Paulo, pois aqui morou, de 1919 a 1926. Deixou-nos para ir morrer em Roma, mas além das obras nos deu a herança de haver formado o escultor Luiz Morrone (1906-1998), seu aluno. O talento de Morrone pode ser medido pelas nove obras que estão distribuídas nas ruas e praças da cidade.

O homem da catedral – Do arquiteto Manfredo Manfredi (Placência 1859-1927), parceiro de Ettore no monumento, pode-se dizer que duas de suas obras bastariam para justificar a passagem pela Terra.  Uma, foi o restauro da Catedral de São Marcos, levantada entre 1071-1617 em Veneza. É uma relíquia que somente poderia ter sido entregue a um talento absolutamente confiável que, por sua vez, teria que possuir total segurança sobre seu próprio valor para assumir a responsabilidade. A segunda o coloca no quarteto liderado pelo lendário arquiteto Giuseppe Secconi, autor do projeto, na construção do admirado e opulento Monumento ao Rei Vitor Emanuel I (1869-1947)I, o unificador da Itália, instalado na Praça Veneza, em Roma. Mede 135m de frente de 70 m de altura. O memorial não faria má figura no esplendor antigo de Nínive ou Babilônia. É revestido de mármore branco de Botticino, da região das Bréscia. Embora tenha esculpido sua Pietá (1496-1499) e seu David (1504) em mármore de Carrara, certamente Michelangelo Buanorroti (1475-1564) não teria desprezado o mármore de Botticino. Hoje custa em torno de 750 reais o metro quadrado; o de Carrara vale 900.

O Monumento da Independência – 122,50m de extensão por 31 de altura, saiu mais barato. O granito branco utilizado fica entre 200 e 500 reais o m², preço variável entre as oito variedades dessa qualidade de pedra.

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here