O imigrante nº 1

Januário Fiori foi um humilde imigrante de quem pouco se ouviu falar.

No entanto, eu e Silvana resolvemos indicá-lo como o mais legítimo representante dos italianos que, valentemente vieram para cá em busca de melhor futuro no Brasil. Resume a fibra de todos. A iniciativa foi inspirada pelo Dia do Imigrante Italiano, que comemoramos em 21 de fevereiro. Ele fez algo que comove e envaidece.

No grave surto de Febre Amarela em São Paulo, 1898-1904, 30 mil mortos, bem mais bravo do que o atual, ele se apresentou como voluntário para se desvendar o fator que transmitia a doença no sentido de profilaxia e vacina. Já havia indícios do mosquito. Ele e mais cinco “cobaias” se deixaram picar por insetos contaminados.  Alguns adoeceram de forma branda, mas o pobre Januário esteve às portas da morte.

Dele, sabe-se apenas que tinha 23 anos e havia chegado da Itália em 1886. Porém, nós localizamos um documento misericordioso que o engrandece, datado de 10 de janeiro de 1930.  É assinado pelo vereador Luiz Antonio Pereira da Fonceca, presidente da Câmara Municipal da cidade.  Anuncia Lei nº 3445 de 10 de janeiro de 1930, que informa o seguinte.

“Fica o Prefeito(*) autorizado a mandar contar os effeitos, o tempo de serviço prestado pelo Sr. Januário Fiori na extincta Empresa de Limpeza Pública e Particular, de 5 de maio de 1905 a 17 de outubro de 1911”.

Januário era lixeiro. Heroísmo à parte, estava tentando garantir um benefício modesto.

A lei foi revogada em 2005.

Como Januário, ficou esquecida.

Wálter Fanganiello Maierovitch

Silvana Rizzioli

(*) Prefeito José Pires do Rio (1880-1950)

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here