“Fiquei satisfeito com as propostas”

A julgar pelo procedimento de José Montanaro Júnior, 58 anos, nosso eterno campeão de vôlei, ele dedica ao seu direito de votar a mesma aplicação com disparava o seu irresistível saque “Viagem ao fundo do mar” (*). É o que atesta a apresentação deste depoimento. De início, ao se interessar pela candidatura do desembargador Wálter Fanganiello Maierovitch ao Parlamento italiano, que conhecia por meio de entrevistas, artigos na imprensa e comentários na Rádio CBN, tratou de conhecer melhor o seu perfil. Ao tomar conhecimento dessa mobilização, a equipe de campanha convidou-o a dar seu parecer favorável. Porém, antes de se manifestar nesse sentido, ele disse que gostaria de ter um contato com Wálter, para auscultá-lo pessoalmente.

Assim se deu. Foi ao escritório do candidato no qual a conversa com cerca de uma hora transbordou emoções, pois, na troca de ideias, foram lembrados os bons momentos proporcionados por Montanaro aos brasileiros participando daquele time que conquistou da medalha de prata nas Olímpiadas de Los Angeles em 1984. Foi uma inédita e estupenda surpresa! No futuro, nosso vôlei ganharia três medalhas de ouro.  Mas aquela, do Montanaro e da sua turma, ficou com gosto de primeira namorada.

Na verdade, a trajetória dele remete à nostalgias agradáveis. Nasceu em 29 de junho de 1958, dia de São Pedro, em São Paulo. Naquela data, enquanto se preparava para vir ao mundo, a Seleção metia cinco gols na Suécia e sagrava-se pela primeira vez campeã do mundo, enchendo o céu de São Paulo de comemorativos balões verde-amarelos. Anunciava seu destino vitorioso. Passou a infância e juventude na Casa Verde e tinha a facilidade de apenas atravessar a rua para ir à escola, pois morava em frente ao Colégio Estadual Manoel da Nóbrega. No entanto, ele lembra que tal comodismo não era a coisa principal. Além da saudosa qualidade de ensino das escolas públicas daquele tempo, ele teve o privilégio de defrontar com o professor Badê, professor de Educação Física. Badê, mestre atento e consciencioso, começou a esculpir o futuro campeão naquele rapagão que já se aproximava dos 1,81m, no qual o talento era apenas um detalhe. Carecia desenvolver o caráter, a responsabilidade, a persistência, a disciplina, o espirito de equipe, a competição ética para se fazer campeões sem defeitos, mesmo que não tragam taças e medalhas. “Eu sempre digo que tudo começa na escola”, adverte Montanaro. De fato, nesses inícios, sempre haverá algum Badê de prontidão, seja nas quadras ou nas salas.

Montanaro é neto do signore Pasquale e da signora Concetta, que vieram de Polignano a Mare, província de Bari. Ele era quitandeiro. “Um típico carcamano”, diz Montanaro bem humorado, referindo-se ao provocativo e injusto apelido dado aos comerciantes italianos.

Eis o depoimento de José Montanaro Jr.

“Eu me identifico muito com o desembargador Wálter Fanganiello Maierovitch naquilo que diz respeito a conteúdo e valores. Eu o conhecia de mídia, dos seus comentários na Rádio CBN, dos artigos em jornais e sempre o tive como uma pessoa qualificada. É um brasileiro que é orgulho da gente e que o será particularmente dos ítalo-brasileiros, caso seja eleito. Também fiquei muito satisfeito em saber que ele, na juventude, foi atleta: nadador e jogador de polo aquático. Mais uma vez eu me identifico com ele porque, de atleta para atleta, conforme atesta seu caráter, somos pessoas que entram em competição para ganhar. Queremos ganhar, queremos dar o melhor de nós mesmos para tanto, mas dentro da ética, do respeito às regras e regulamentos, da dignidade e dentro dos limites justos das nossas possibilidades.

Também fiquei satisfeito com as propostas de Wálter e de Dona Silvana Rizzioli, sua companheira de chapa. No caso dele, a luta contra o crime organizado e a corrupção transnacionais são algo justo e óbvio. É uma bandeira corajosa e necessária ao Brasil. No caso de Dona Silvana e da elevação dos nossos jovens ao Sistema Itália de educação, colocando-os na condição dos jovens italianos com seus direitos e deveres, é algo que vai enriquecer a todos”.

(*) O saque “Viagem ao fundo do mar”, criado por Montanaro, provocou uma espécie de revolução dentro do vôlei, pois transformou esse movimento em instrumento de ataque. Até então, tinha apenas a função de colocar a bola em jogo: o sacador enviava a bola ao campo do adversário, que fazia a recepção, dando seguimento à partida. Porém, a invenção de Montanaro mudou esse conceito. Lança a bola alta no fundo da quadra, com força, efeito e velocidade, contrariando o costume vigente de, na maioria das vezes, cair no miolo do espaço adversário. O lance bem sucedido foi uma conjugação de habilidades técnicas. Em primeiro lugar, o sacador ao saltar, inclinava o corpo para frente sem avançar sua linha, isto é, sem infringir a regra, pois a invasão aérea é permitida; a proibição se restringe a “queimar a faixa”.

Convém lembrar que a inclinação referida ao permitir um encurtamento de distância, propicia o alcance ao fundo do outro lado. A verdade é que o “Viagem” alterou completamente o sistema de recepção existente e definitivamente incorporado em todas as quadras do planeta.

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