Itália e Brasil se (re)descobrem

Certa vez uma estudante universitária que não conhecia o sociólogo Gilberto Freire perguntou quem ele era… “Sou um rival de Cabral”, respondeu o escritor. E explicou mais ou menos assim: Consta que Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil, mas o Brasil ainda precisa ser realmente descoberto, há vários brasileiros que tentam descobrir o nosso país, eu sou um deles. O Brasil ainda está para ser descoberto.

De fato, temos diversos intelectuais que procuraram e procuram interpretar o Brasil: os clássicos, já falecidos, Oliveira Vianna, Gilberto Freire, Caio Prado Júnior, Anísio Teixeira, Josué de Castro, Sérgio Buarque de Holanda, Raymundo Faoro, Milton Santos, Florestan Fernandes, Celso Furtado, Darcy Ribeiro, Paulo Freire… e gente da atualidade como o embaixador Rubens Ricupero ou o jovem historiador Jorge Caldeira.
Nesta lista de estudiosos dos problemas brasileiros, no nível de profundidade que a empreitada requer, acha-se o jurista Walter Fanganiello. Com uma característica suplementar: a de ser também um bom conhecedor da Itália, sua gente, sua civilização, seus sistemas, seus valores, sua economia, sua política.

Na hora de escolher um representante dos italianos residentes no Brasil para o Parlamento italiano, ninguém melhor do que ele para fazer a dupla ponte: fazer os italianos (re)descobrirem o Brasil e fazer o Brasil (re)descobrir a Itália. Pois é disto que se trata: a colaboração entre duas nações que têm muito a oferecer uma à outra, que têm muito a aprender uma com a outra.

É certo que há intercâmbio entre Itália e Brasil, mas ainda longe do dinamismo com que se poderiam enriquecer cultural e materialmente.
Darcy Ribeiro defendia a tese de que o Brasil é a Nova Roma, mas uma Roma mestiça, lavada com sangue índio e africano, sofrida e tropical. Não temos espaço aqui para descrever as semelhanças e dissemelhanças entre Itália e Brasil. Mas cabe-nos insistir sobre a formidável oportunidade de se modelar (a partir de imensas potencialidades, até hoje insuficientemente exploradas) um diálogo fecundo entre dois povos que precisam de aproximação e colaboração. Sem fantasias, sem improvisação; mas com estudo, competência, pragmatismo, obstinação.

Pelo seu mergulho no conhecimento da realidade da Comunidade europeia e da República Italiana, e por seu itinerário de conhecimento e trabalho no Brasil (professor universitário, profissional da Justiça, homem de comunicação,, consultor internacional, presidente do Instituto Giovanni Falcone, colaborador de entidades do Terceiro Setor, ministro de Estado), Dr. Walter Fanganiello está preparado para levar adiante o trabalho de aproximação entre Itália e Brasil, para o amadurecimento e frutificação de relações binacionais sempre dadas como esperançosas, mas que ainda não se efetivaram, por falta de lúcidos e pragmáticos intérpretes de ambas as nações.

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