Chegando em casa! Visita à Porto Alegre

O desembargador Wálter conta que a campanha está lhe devolvendo boas lembranças

“Na quinta-feira passada, 11 de janeiro, em Porto Alegre, tive a agradável constatação de que esta campanha política vai me levando aos melhores momentos do meu passado. Os compromissos e visitas junto aos nichos da colônia italiana em nosso país, estão me reconstituindo os ares, sons e sabores da minha infância e adolescência vividos entre os bairros do Bom Retiro e da Barra Funda em São Paulo. Era um território de brave persone, no qual a polenta competia com o arroz e feijão na hora do almoço. Eu me sentia muito bem e confiante.

Palácio Piratini, Sede do Governo do Rio Grande do Sul.

Cada gesto, palavra, movimento ou olhar dessas pessoas, que estou vendo pela primeira vez nas viagens de campanha, me encaminham à casa de um vizinho, de uma tia ou dá avó. Assim tem acontecido em Vitória e em Estação da Venda Nova, no Espírito Santo; em Chapecó e Florianópolis na terra dos barrigas-verdes; em Curitiba e no interior paulista. Excluo São Paulo porque, por morar aqui, vivo esbarrando à cada passo nessas páginas desfrutadas. Em cada um desses encontros sinto a reconfortante sensação de que estou chegando em casa.  Nessas ocasiões compreendo perfeitamente a emoção de Marcel Proust em recuperar felicidades antigas ao saborear suas madeleines.

No Palácio Piratini – Às 10h30 da manhã fui recebido em audiência pelo governador José Ivo Sartori, cujo sobrenome denuncia de imediato a origem italiana. Ele é de Caxias do Sul, na serra, onde mora gente que, por influência fonética do lar vêneto, não consegue pronunciar a letra R dupla, produzindo deliciosas imprecisões tipo caróça (carroça) ou maréco (marreco). Não se enganem: a maior parte dos nossos bons vinhos que bebemos vêm daqueles campos e terraços nos morros. Talvez fale com conhecimento de causa deles, pois lembro nostalgicamente das garrafas de Santa Úrsula, Granja União e Jolimont que já me acompanhavam nos anos 60.

Perfeito cavalheiro, o governador Sartori me recebeu prodigamente em todos os seus procedimentos. Eu havia solicitado o encontro para comunicar-lhe minha candidatura ao Parlamento italiano. Foi uma visita institucional republicana, vamos dizer assim, pois entendi que devia respeito aos ítalo-brasileiros-gaúchos e ao povo rio-grandense em geral, que ele representa no Palácio Piratini. Permitam-me debruçar-me um pouco sobre o palácio. É o meu preferido entre todas as casas de governo do País, pelos belos capítulos de nossa História que abriga entre suas paredes nos 94 anos de existência. No meu entendimento, o mais vistoso deles é a resistência democrática de 1961, quando a Rede da Legalidade passou a falar dos seus salões, através dos microfones das rádios Guaíba e Farroupilha, para confrontar, com sucesso, o golpe contra o presidente João Goulart, leia-se Constituição Nacional.

Foi o que se espera de uma casa que remete às libertárias lutas farroupilhas do século XIX. E nesse sentido, perdoem-me a ignorância, fiquei sabendo durante minha estadia entre os gaúchos, que a cidade de Piratini, que emprestou seu nome à república proclamada pelos gaúchos na Guerra dos Farrapos e foi sua capital, continua firme e forte, a 347 km de Porto Alegre, com seus cerca de 19 900 habitantes.

A boa surpresa – Meu segundo compromisso na capital gaúcha se deu na Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (AJURIS), onde fui recepcionado pela presidente Vera Lúcia Deboni, cujo sobrenome esclarece prontamente qual é o sangue que lhe corre nas veias. Ao chegar, senti reforçada a sensação de acolhimento referida no início deste texto por encontrar com meus iguais, colegas juízes. Em todo caso, compareci à entidade obedecendo ao mesmo propósito da audiência com o governador Sartori: comunicar oficial e institucionalmente minha candidatura ao Parlamento italiano. Embora preservado o princípio da neutralidade que uma instituição como a AJURIS deve obrigatoriamente adotar em questões de natureza eleitoral, era perceptível a familiaridade ao redor inclusive porque Pietro Grasso, presidente do “Liberi e Uguali”, por cuja legenda concorro, é um magistrado de nomeada na Itália. Enfim, lá, eu me senti bem.

Rio Guaiba em Porto Alegre-RS

A Associação Beneficente e de Assistência Educacional do Rio Grande do Sul foi meu último compromisso em Porto Alegre. Trata-se de uma entidade sem fins lucrativo fundada em 1991, criada para divulgar e cultiva a língua e a cultura italianas no sentido de confirmar e reforçar a identidade histórica e social dos ítalo-brasileiros-gaúchos. Logo ao ser recebido por Maria Cristina Franceschi, responsável pela instituição, percebi de imediato o bom terreno no qual estava pisando. A associação está distribuída por 26 municípios do Rio Grande. Essa associação me entusiasmou profundamente, pois incorpora eficientemente o resgate, estimulo e preservação daquilo que chamo de Italianidade e que é um dos pilares da minha campanha. O relatório anual de 2016 registra v433 turmas somando 6 053 alunos. É o tipo de instituição que precisa ser reproduzido em todo canto do país onde exista uma comunidade ítalo-brasileira, para resguardar aquilo que recebemos dos nossos avós.

Foi muito gratificante conhecê-la. Na verdade, uma feliz surpresa que voltará a ser falada por nós.”

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