Com conhecimento de causa

Certa vez a admirada escritora Clarice Lispector confidenciou:

“Já contei piadas e mais piadas sem graça apenas para ver um amigo feliz”.

Esta frase poderia ser perfeitamente transferida para a boca de Wálter Fanganiello Maierovitch ou de Dircêo Torrecilas Ramos, ambos juristas, caso lhes pedissem para resumir os vínculos da amizade que os une.

Esta introdução é necessária para  expressar a legitimidade do apoio que Dircêo está oferecendo à campanha do amigo rumo ao Parlamento italiano.

Em princípio, isso pode parecer pouco convincente, pois o mínimo que se espera de um amigo é que não nos faça a caveira. Mas no caso de ambos, há um viés a ser descortinado que avança além da fidelidade convencional e que merece ser exposto. Nasceram e cresceram juntos no bairro do Bom retiro, em São Paulo. Passar por esta experiência, estamos falando do Bom Retiro, é uma proveitosa aventura humana.  O bairro, bem no centro de São Paulo, originou das chácaras que existiam por ali no século XIX e no lugar das hortas, pomares e piquetes de animais surgiram as colônias de italianos, judeus, gregos e espanhóis. No caso de Wálter, ele ficou dividido entre os dois primeiros;  Dircêo nasceu entre os últimos. Esta espécie de Babel lhes deve ter sido, na prática, uma escola providencial que ensinou o valor da diversidade e de conviver com ela; é aquele tipo de escola que abre amplas janelas para compreendermos o movimento da vida.   Uma amizade tingida por tal virtude somente tende a ser sólida.

 

Rua Solon e a fábrica da Ford no início dos anos 40

Eles se entenderam bem desde pequenos, brincando pelas ruas e respirando o odor da argila queimando nos fornos para se transformar em tijolos e telhas, pois o Bom retiro era eminentemente um centro de olarias. Aliás, o avô italiano de Wálter se fez assim. Partilharam a mesma adolescência e juventude: desenvolveram estudos e carreiras extremamente próximas que reforçaram suas afinidades. São um raro caso de amigos de infância que estão juntos por mais de 60 anos. Filtraram no tempo a amizade, que a passagem do tempo poliu. Podem entender sem tropeço o que Clarice quis significar na frase acima.

Porém, é licito lembrar que elogios, partindo das duas partes, são previsíveis e impulsionados pelo afeto. No entanto, o respeito entre eles é algo que o conhecimento mútuo e profundo poliu e talvez não aceite meias verdades. Por isso, não há constrangimento em registrar aqui o que Dircêo disse.

“Conheço Wálter como menino, estudante, chefe de família, juiz, desembargador, combatente do crime organizado e da corrupção transnacionais, secretário nacional antidrogas, consultor da ONU e União Europeia e amigo. Esta trajetória é admirável. Se eleito, será um grande parlamentar. Não vejo ninguém melhor”.

Dircêo Torrecilas Ramos, jurista e escritor, professor de Direito Constitucional na Fundação Getúlio Vargas
Dircêo Torrecilas Ramos, jurista e escritor, professor de Direito Constitucional na Fundação Getúlio Vargas

 

Memorial da Imigração Judaica
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