Nas terras capixabas

A mensagem de Wálter Fanganiello Maierovitch já chegou ao Espírito Santo

Por José Maria dos Santos.

A julgar pelos números, a colônia italiana capixaba não é exatamente hábil em promover suas virtudes. Não é boa de marketing, como diriam os publicitários. Percentualmente, o Espírito Santo é o estado mais italiano do país, embora, neste quesito, São Paulo ou Rio Grande do Sul sejam os primeiros nomes a serem lembrados. Ali, o sangue italiano corre nas veias de 65% da sua população de 3 885 049 habitantes, apurada pelo censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2010.  Talvez o melhor termômetro para medir a presença italiana no Espírito Santo seja a concertina. Sim, aquela pequena sanfona, tão própria do gosto italiano. Anualmente, são realizados festivais de concertina em oito cidades; os mais famosos são os de Colatina e Linhares. Pensando nesses conterrâneos, o desembargador Wálter Fanganiello Maierovitch desembarcou em Vitória na sexta-feira para informar sobre sua candidatura ao Parlamento da Itália como deputado em março próximo.  Porém, simultaneamente, ele tinha o compromisso  de fazer uma palestra sob o tema “Crime Organizado, Corrupção, Operação Mãos Limpas, Lava-Jato”. Trata-se de um tema da sua especialidade na luta política-cidadã que o no levou a ser conhecido em todo Brasil, e que agora tem norteado sua campanha. Não por acaso, a conferência foi antecedida de uma longa reportagem a respeito, publicada pelo  tradicional jornal A Gazeta, fundado em 1929, sob o título: “O Supremo se colocou a reboque do Legislativo”,

Jornal A Gazeta, onde Wálter foi destaque em reportagem

alusivo ao recente e constrangedor episódio da libertação de deputados estaduais presos sob acusação de corrupção no Rio de Janeiro, protagonizado por colegas parlamentares.  Na abertura do texto, o jornal A Gazeta anotou. “O jurista é um dos maiores estudiosos  sobre corrupção na atualidade”, confirmando sua longa trajetória de mobilização.  Nessa mesma direção, ele concedeu também alentada entrevista ao telejornal “Bom Dia Vitória”, transmitido pela TV-Gazeta, afiliada da Rede Globo, e repetiu o procedimento na Rádio CBN da capital. É justo reafirmar que essa conduta tem sido rotineira na sua vida, pois o desembargador entende que, possibilitado pela aposentadoria, tem o dever de levantar tal bandeira em tempo integral.  O encontro, que também contou com o patrocínio do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) de Vitória, se deu no auditório da Rede Gazeta.

Bandeira da cidade de Venda Nova do Imigrante

Il Tricolore no ar – A bandeira da cidade de Venda Nova do Imigrante (ES) confunde-se com a italiana. Ao primeiro olhar, é a própria Il Tricolore, carinhoso apelido que é dedicado ao pavilhão da Itália. Traz o mesmo verde à esquerda, que simboliza as planícies; o branco, ao centro, que cobre os picos dos Alpes; o vermelho, à direita, do sangue derramado nas guerras de independência. Mas quando ela drapeja livremente, deixa ver o brasão de Venda Nova do Imigrante. Em todo caso, ao vê-la no mastro,  qualquer pessoa de alma italiana que venha a cidade, vai ter a sensação de estar chegando em casa. O desembargador Fanganiello Maierovitch  ali aportou no sábado, após viajar os 103 km que a separam de Vitória.

Vista aérea de Vitória/ Espirito Santo
Venda Nova do Imigrante

Naturalmente, o prefeito Braz Delpupo é oriundi.  A rigor, a cidade é uma falsa jovem, pois apesar de haver se tornando município apenas em 1988, o lugar viu os italianos chegar em 1892. Aliás, essa presença é tão palpável que, até por volta de 1940, a língua predominante era o idioma de Vêneto, origem que predomina sobre os 20 468 habitantes. Isto faz lembrar que a concorrida Festa da Polenta, realizada em todo mês de outubro, na qual prevalece a receita que a torna firme e macia, como convém às melhores tradições do Vêneto. Nada contra outras receitas também saborosas e desejáveis, como as polentas cremosas de outras regiões. Mas tradição é tradição.

Tradicional Festa da Polenta

A palestra de Wálter foi realizada no clube da cidade.  Mais uma vez se repetiu ali o vivo interesse da platéia em debater o tema que vem caracterizando o corpo-a-corpo do desembargador com os mais variados plenários nas suas andanças pelo país: o necessário confronto contra o crime organizado e a corrupção transnacionais. Felizmente, assim como se diz do café, parece estar se transformando uma preferência nacional. É uma constatação gratificante para o desembargador porque, independentemente de interesses eleitorais, a busca da ética está tocando os corações.

Antes da palestra o coral de Venda Nova do Imigrante cantou o Hino Nacional do Brasil e o da Itália.

 

Ouviram do Ipiranga às margens plácidas

Fratelli d’Italia

de um povo heróico o brado retumbante

l’Italia s’é desta

 

 

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