Tudo vai acabar em pizza. Mas só no prato!

Na sua noite italiana na Pizzeria Margherita, em São Paulo, Walter Fanganiello Maeirovitch reafirmou a representação e os interesses dos eleitores como princípios dos quais não abrirá mão

Antonio Carlos de Toledo se entusiasmou  com uma escolha eleitoral que julgou proveitosa e isto tem a ver com o desembargador Wálter Fanganiello Maierovitch. Mas está impedido de concretizá-la, pois não é cidadão italiano para dar-lhe o voto ao Parlamento de lá como deputado, nas eleições de março próximo. No entanto, caso Wálter ganhe a cadeira, Antonio Carlos poderá, indiretamente, chamar a si uma parcela do sucesso. Entusiasta da sua candidatura, pelo singelo motivo de admirar o seu trabalho de 30 anos na Magistratura e desejar vê-lo reproduzido num parlamento, ele abriu , na semana passada, as portas da sua pizzeria, a consagrada Margherita, Alameda Tietê, 255, nos Jardins, na capital paulista, para promover o encontro de Wálter com a colônia italiana de São Paulo (*). Aliás, José Montanaro Júnior, 59 anos, era um legítimo representante dela. Vem a ser o Montanaro, jogador atacante da Seleção brasileira de vôlei, colecionador de títulos, entre eles a medalha de prata nas Olimpíadas de Los Angeles/84. (Seu sobrenome foi emprestado pela comuna de Montanaro, no Piemonte, 5 273 habitantes). Outro convidado que marcou a noite foi o barítono Dante Perini. Mereceu matéria à parte neste site, do alto de seus 90 anos. (link)

O convite, enviado a 100 convidados especiais, instruía-os  a deixar a carteira em casa, uma vez que a recepção correria por conta da casa, inclusive os encantos engarrafados da uva Cabernet Sauvignon no Cerro Bravo que o Chile nos manda; quem ama o vinho,  sabe do que se trata. Quanto às pizzas, tudo que é possível dizer para homenageá-las já é conhecido. (NR – Por favor, não interpretem essas palavras como mera retribuição adulatória. A qualidade das pizzas, distribuídas num cardápio de 57 tipos, apenas promoveu a união do útil ao agradável na campanha do desembargador. Se sabor e gulodice pesassem, qualquer candidato indicado pela casa seria eleito por antecipação). Não por acaso, a maestria do anfitrião em assuntos de cozinha lhe deu um sólido currículo no quesito, conforme atestam os restaurantes que fundou, e marcaram época na capital, desde que entrou nesse terreno em 1977: Paulista Grill, Sea Snack, Salad, Oscar etc. Se alguém estabelecer intimidade com Antonio Carlos, poderá chamá-lo de Esquerda ou Esquerdinha. O tratamento não tem relação com ideologia, seja por definição política no primeiro caso ou qualificação pejorativa no segundo. Decorre da sua passagem pelo São Paulo FC nos anos 60 como ponta-esquerda. Ficava no banco de reserva, o que não era pouca coisa na sua época, num time que teve sucessivamente Canhoteiro e Paraná com a camisa 11.

“Povo Fala” –  Na sua saudação aos convidados, o desembargador Wálter Fanganiello Maierovitch abordou um tema que vem repisando na sua pregação deste o início da campanha: o valor da representação. Embora pareça óbvio que um parlamentar seja representante de seus eleitores e deva-lhes prestar contas sobre seus procedimentos, de preferência positivos, como qualquer funcionário eficiente, tal prática tem sido sistematicamente esquecida pelos políticos, seja por inconsciência do seu papel, menosprezo ou má fé. E neste tópico, é imperioso introduzir aqui a expressão “povo fala”.

Quem está familiarizado com o jargão das redações, particularmente das televisões, sabe que é uma designação interna das reportagens nas quais o repórter sai pela cidade colhendo opiniões de pessoas sobre determinado assunto, na maioria das vezes momentoso. Tem o sentido de complementar as grandes coberturas e dar-lhe um tempero popular. Contudo, “Povo Fala” também é um recurso para suprir dias tediosos ou socorrer jornalistas pouco inspirados na sua jornada. São abundantes em época de eleições, caracterizados por uma queixa recorrente: político só aparece para pedir voto e depois desaparece. Invariavelmente tem sido assim, embora existam aqueles que mantém escritórios abertos , nem sempre para cumprir seu compromisso ético. Ao contrário, fazem um agrado aqui, um favor ali, um brilhareco acolá, a fim de cultivar votos cativos.

Porém, este posicionamento de Wálter não tem o objetivo de ser uma proposta da sua campanha, pois seria algo parecido a um médico que promete cuidar bem dos seus pacientes. Ou de uma professora que anuncia sua intenção de ensinar com dedicação. A espinha dorsal da sua plataforma é o combate ao crime organizado e a corrupção transnacionais, que sabe fazer bem. De modo que a pregação, na verdade, reveste-se de um esforço pedagógico para influir saudavelmente sobre os maus costumes da política em geral e da brasileira em particular. Caso eleito, disse, organizará uma rede telemática 24 horas, para atendimento e prestação de contas junto aos eleitores. E não buscará a reeleição porque é visceralmente contrário a esse sistema que produz variadas distorções. Perpetua mandatos defeituosos; inibe o florescimento de novos homens públicos competentes; bloqueia o fluxo da renovação próprio da vida; alimenta uma casta que aprendeu a fazer política para si mesma, manejando avaramente os instrumentos de bem estar coletivo que a sociedade lhe coloca nas mãos através da representação democrática. “Repito e sempre repetirei”, afirmou Wálter. “Política não é profissão, mas prestação de serviços, segundo assegurava o sociólogo Max Weber”.

(*)  Nomes com instituições atrás de si:

. Ângela Maria Perrela Curiati            – Associação Cultural Italiana de Molise no Brasil; conselheira comites

. Cecília Maria Gasparini Manassero  – Federação das Associações Piemontes no Mundo, Brasil – presidente

. Oriana Monarca White                      –  Associação Umbria do Brasil

. Domenico Miranda                            – Associação Basilicata dse São Paulo

. Domingos Sanches                             – Clube Atlético Juventus – presidente

. Franco Di Bisceglie                            – Associação Pugliese de São Paulo

. Giovanni Manassero                          – Associação Piemontesa no Mundo, Brasil; vice-presidente do Circolo Italiano de São Paulo

. José Luiz Farina                                  – Colégio Dante Alighieri – diretor

. Mário Scarppini                                 – Circolo Italiano de Jundiaí – presidente

Vezio Nardini                                     – Circolo Toscano de São Paulo

Pizzaria Margherita

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