Riina não terá funeral

Salvatore Totó Riina foi o mais sanguinário de todos os chefes da secular Cosa Nostra siciliana.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

Depois de 24 anos preso em regime penitenciário reservado a mafiosos perigosos, faleceu, no dia 17 de novembro passado (2017), em decorrência de câncer. Chegou a passar cinco dias em coma, internado no hospital Maggiore, da cidade de Parma.

Riina leva para o túmulo muitos segredos. O da suspeita de tratativa Estado-Mafia e que gerou o fim da “guerra” declarada contra o Estado nacional, com ataques a Roma, Florença e Milão. De lembrar, ainda, ter sido declarado foragido em 8 de julho de 1969 e preso apenas em 15 de janeiro de 1993, depois das mortes dos magistrados Giovanni Falcone e Paolo Borsellino, por ele determinadas. Nesses mais de vinte anos de fuga, Riina não tirou os pés da Sicília e nunca deixou de comandar a Cosa Nostra. O antigo sistema de a Cosa Nostra ser governada por um órgão de cúpula foi modificado por Riina, declarado o “chefe dos chefes”.

Salvatore Totó Riina

Poucos meses antes de falecer Riina pediu, em razão do avanço inexorável do câncer produtor de metástases, para ser removido a prisão domiciliar em Corleone, residência da sua mulher e de uma filha solteira: Coreleone é a cidade siciliana que mais forneceu “chefões mafiosos”: Luciano Liggio, Bernardo Provenzano e Salvatore Riina, apelidado Totó, “o curto” (pela sua baixa estatura). O pedido de domiciliar restou indeferido,pela periculosidade de Riina, que, na mesma ocasião do pedido, deu ordem, — interceptada no presídio–, para matar um magistrado do “pool” antimafia de Palermo.

Nascido em 16 de novembro de 1930, Riina, aos 15 anos de idade, virou um matador e ingressou no grupo de Liggio, chefe de um grupo de escolta de um dono de latifúndio. Riina teve quatro filhos: dois homens e duas mulheres. Um deles, o mais velho, está preso por homicídio. O outro, que leva o nome do pai, cumpriu 8 anos de prisão fechada por associação à Máfia.

Riina, como foragido, casou na Igreja com NInetta Bagarella, irmã do “general do exército” da Cosa Nostra guiada por Riina e condenado à prisão perpétua. Os seus filhos, — sempre com Riina foragido, nasceram na melhor maternidade de Palermo, com a parturiente com nome falso. Todos foram registrados e a polícia, só depois de anos, veio a saber dos nascimentos e registros civis regulares.

A mãe de uma das vítimas fatais do ataque mafioso ocorrido em Florença, disse ao jornal La Repubblica: “ que Deus se apiede dele, pois nós nunca conseguiremos o perdoar”.

Fonte: IBGF 

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