A palavra do piemontês – Giovanni Manassero

Giovanni Manassero, vice-presidente do Circolo Italiano e presidente da Associação Piemontesa de São Paulo, também marcha com Wálter Fanganiello Maierovitch

Giovanni Manassero
Faixada do Circolo Italiano

Certamente qualquer candidato que esteja concorrendo às eleições da Itália na condição de representante da comunidade italiana no Brasil, como é o caso  do desembargador Wálter Fanganiello Maierovitch, gostaria de estar no seu lugar neste momento. Ele acaba de receber o apoio de Giovanni Manassero, 77 anos, no sentido de merecer uma cadeira como deputado no Parlamento de Roma. Giovanni tem atrás de si  duas respeitáveis instituições que dão a medida do seu reconhecimento junto à colônia: é vice-presidente do centenário Circolo Italiano, criado em 1911, e presidente da Associação  Piemontesa de São Paulo. Portanto, antes de deixá-lo apresentar suas razões ao endosso da candidatura, é esclarecedor resumir sua biografia instrutiva, iniciada em Fossano, província de Cuneo, é claro, no Piemonte.

A infância deixou como principal lembrança a necessidade de se abrigar sob os batentes das portas – locais mais seguros da casa em caso de desabamento – ante a iminência de um bombardeio aéreo na II Guerra. A segunda é mais feliz: os soldados aliados distribuindo balas e chocolates , anunciando agradavelmente o fim do conflito.

A juventude veio encontrá-lo em Turim, aluno do conhecido Instituto Técnico Industrial, estudando para tirar diploma como técnico, perito, conforme se diz  na Itália, no setor elétrico.

Passeata de Maio de 1968

Em 1968 a paulistana Cecília, filha de italianos, veio cruzar seus caminhos. Chegou a Turim para visitar parentes, aproveitando a suspensão das aulas na Sorbonne, em Paris, devido ao célebre e histórico movimento estudantil de maio. Conheceram-se, trocaram cartas e… “Realizei-me nos idos de maio/68 sem dar um passo nas passeatas”, diz bem humorado. A julgar por Giovanni, piemontês gosta de agir rápido nesse terreno. Em 1970 estavam casados. Ele seguiu à risca uma frase do seu conterrâneo piemontês, o escritor Umberto Eco (Alexandria 1932-Milão 2016),  anotada em “O Nome da Rosa”, talvez seu livro mais famoso: O amor é mais sábio do que sabedoria. Resultado:  mudança para São Paulo e três filhos. Giovanni Junior (professor da Poli, USP), Marta (propaganda e marketing), o caçula Waldemar (preparador físico).

Se pedirem a Giovanni um bom motivo para nascer em Piemonte, de que tanto se orgulha, ele poderá responder de imediato, particularmente se for hora do almoço ou jantar: bagna cauda. Para os não-iniciados, trata-se de uma das mais sedutoras, senão a maior, invenção da cozinha piemontesa. É uma espécie de fondue à base de filezinhos de anchovas. Giovanni avisa que o bagna cauda exige dois acréscimos especiais: um vinho Barolo, preferencialmente da casta Barbera que, aliás, tem seu berço na província de Cuneo e amigos. Sim, como a nossa feijoada, bagna cauda é, sobretudo, um prato social.  Tem que haver uma roda de compagni junto. “Tem que haver muita brincadeira. A refeição deve ir longe”, diz Giovanni.

É de lamentar que, pela sua consistência e riqueza calórica, seja um prato de inverno. Nem tudo é perfeito.

Abaixo, o seu apoio a Walter. 

“Ele caminha para o consenso”

O senhor desfruta de bastante respeito e simpatia junto à colônia italiana de São Paulo, particularmente entre os piemonteses. Por que o senhor está colocando essas credenciais em favor da candidatura do desembargador Wálter Fanganiello Maierovitch?

Na verdade, eu comecei a ter admiração pelo seu trabalho antes de conhecê-lo pessoalmente. Ouvia seus comentários sobre Justiça na rádio CBN, lia seus artigos e entrevistas. Ele é bastante solicitado pela imprensa. E tomei conhecimento do Instituto de Investigações Criminais Giovanni Falcone, que ele fundou como instrumento de confronto ao crime organizado e à corrupção transnacionais. Eu percebia nas suas manifestações a busca e a aplicação da ética com muito empenho e legitimidade. Inclusive, fui notando nas conversas com amigos e familiares essa mesma convicção e receptividade.  Nesse sentido, hoje eu tenho a certeza de que sua candidatura está caminhando para um consenso na comunidade italiana.

Eu conheci Wálter pessoalmente num almoço no Ferrari Clube. 

É aquela confraria dos fãs da escuderia e dos carros Ferrari?

Sim. Deve existir mais de 500 clubes Ferrari pelo mundo, muitos dos quais os torcedores homenageiam os pilotos dos respectivos países. Nós, italianos e descendentes, somos os únicos que torcem para um carro. 

Manuel Fângio na escuderia Ferrari

Mas por aquilo que sabemos, Wálter é um bom esportista na água. Nos bons tempos foi jogador de pólo aquático, inclusive campeão brasileiro, e hoje ainda nada umas boas marcas. Mas nada a ver com Ímola,  Monza ou bandeira quadriculada.

Acontece que a paixão pela Ferrari tem a ver com a italianidade da qual faz parte a valorização da cultura e das coisas da Itália E não é somente no sentido estrito de erudição. Os italianos que vieram para o Brasil, na migração, não eram gente escolarizada. Mas eram pessoas que trabalhavam muito, e bem, na agricultura. Sabiam lidar com a terra. Faz parte do italiano: a ligação com a família e o trabalho. Digo, sem medo de errar, que, enquanto trabalhavam na roça, davam uma contribuição essencial à produção do café, em quantidade e qualidade, que produziu a riqueza e o desenvolvimento de São Paulo. 

Por coincidência, a renovação da italianidade é uma plataforma destacada na campanha de Walter, simultaneamente ao combate contra a corrupção e o crime organizado transnacionais.

O senhor tinha conhecimento disso?

Tinha. A minha aproximação com ele foi uma espécie de descoberta. Como disse, lia seus escritos e acompanhava seus comentários, como foi no caso Battisti.  Eu incorporei suas propostas por sentir a necessidade de alguém para defender a ética num espaço como o Parlamento italiano. Sou avô e desejo que meus netos cresçam num mundo em que essa preocupação, a reafirmação e preservação da ética, esteja presente. 

É interessante observar que o senhor está bem à vontade para dar seu apoio à campanha.

Estou e, modestamente,  bem acompanhado. O desembargador Wálter recebeu do governo italiano a comenda “Cavaliere Della Reppublica” por serviços prestados ao país, que é uma condecoração extremamente honrosa. E há pessoas muito respeitáveis  que o estão apoiando. Posso lembrar, por exemplo, o embaixador Rubens Ricupero e o professor Jose Rogério Cruz e Tucci, diretor da Faculdade de Direito do Largo São Francisco.

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