Alô, Alô Venezuela!

Por José Maria dos Santos

Se os registros históricos não estiverem enganados, os italianos já estavam na Venezuela antes que o Brasil fosse descoberto. Trata-se da mais antiga e duradoura raiz das Itália no continente americano. Portanto, devemos esquecer nosso país, os Estados Unidos, Argentina, Chile ou Uruguai que pareciam disputar esse quesito.

O esclarecimento inesperado se deu quando nós, da equipe do desembargador Wálter Fanganiello Maierovitch, ficamos agradavelmente surpresos com os mais de três mil acessos venezuelanos ao seu site de campanha no início da semana e tivemos a curiosidade de conhecer melhor a História da nossa vizinha. Afinal de contas, o assunto tem estreita afinidade com a candidatura de Wálter a deputado ao Parlamento italiano nas eleições de março por uma coligação de centro-esquerda, nas quais a Venezuela é um importante colégio eleitoral. (Veja matérias a respeito neste espaço).

Há notícias de que os primeiros italianos a pisar na América do Sul faziam parte da tripulação de Colombo na sua terceira viagem ao continente em 1498. Segundo suas anotações, o genovês ficou de tal modo seduzido pela graça da terra, que imaginou ter chegado ao Jardim do Éden, nome bíblico do paraíso terrestre. Mas não atentou ser a mesma que havia descoberto seis anos antes, um pouco mais ao norte. Desembarcaram em um local onde fica hoje a cidade de Macuro, atualmente com cerca de 33 mil habitantes. Porém, na documentação histórica, o primeiro nome italiano a ser anotado como ‘pioneiro venezuelano’ foi o de Giacomo Castiglione, um ano depois. Este marinheiro fazia parte da expedição do espanhol Alonso de Ojeda, realizada em 1499, uma das várias incursões exploratórias patrocinadas pelo rei Carlos V, da Espanha, ao território recém encontrado. Como se nota, italianos, a semelhança de portugueses, também gostavam de aventuras e de sair para o mar. Giacomo, inadvertidamente, entrou para a História ao fundar, no início dos anos 500, uma povoação a qual deu o nome de Nova Cádiz. Viria a ser a primeira cidade sul-americana. Hoje leva o nome de Cumaná, 423 546 habitantes, poderosa capital de Sucre, um dos 23 estados venezuelanos.

Heróis da liberdade – Na verdade, os primeiros momentos da História da Venezuela são pródigos em nomes italianos. Ainda no seu berço, vamos dizer assim, viu chegar o escritor veneziano Francisco de Graterol, que aportou em 1535 na frota comandada por um alemão chamado Jorge Von Spira. Este comandante trouxe 600 colonos italianos para iniciar a colonização do território, em um projeto foi financiado pela Casa Weser, de uma família alemã de banqueiros ligada ao trono espanhol.

Juan Germán Roscio

Mais tarde, quando o caraquenho (gentílico dos nascidos em Caracas) Simon Bolívar (1783-1830) empreendeu a guerra pela independência da Venezuela, proclamada em 5 de julho de 1811, teve inúmeros oficiais italianos ao seu lado. Convém lembrar que Juan Germán Roscio (1763-1821), outro herói da libertação venezuelana, tinha sangue italiano nas veias, a julgar pelo seu sobrenome. Pode-se dizer que, entre seus outros méritos, Roscio, como José Bonifácio, foi o patriarca da libertação e organizou a primeira Constituição Republicana da América do Sul. No sentido de figuras históricas similares, Brasil e Venezuela, têm mais pontos em comum. Como o nosso Tiradentes, a Venezuela teve um mártir predecessor da sua libertação, José Leonardo Chirino (1754-1796) que, aliás e igualmente, acabou na forca. E para finalizar este capítulo, cumpre arrematar que os respectivos libertadores tinham nomes quilométricos, mas nós saímos ganhando. Venezuela: Simon José Antonio de La Santíssima Trindade de Bolívar y Palacio Ponte-Andrade y Blanco. Brasil: Pedro de Alcântara Francisco Antonio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim

Simon Bolivar

de Bragança e Bourbon. Ufa!

Mas é hora de voltar ao ano de 2017.  A Venezuela tem 31,57 milhões de habitantes, segundo o censo de 2016; 5 a 6% trazem o sangue italiano; o espaguete participa da dieta regular nacional. O interesse demonstrado pelos venezuelanos em conhecer o site do desembargador Wálter Fanganiello Maierovitch demonstra algo importante. Sugere que as propostas básicas da sua candidatura – bloco da Itália, Brasil, Argentina, Chile, Uruguai e Venezuela contra a corrupção e crime organizado transnacionais; valorização da italianidade como virtude civil e cultural – estão sensibilizando os cidadãos ítalo-nacionais dos países mencionados.

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