“Nós saberemos muito bem o que fazer!”

Silvana Rizzioli explica sua participação nas eleições italianas ao lado de Wálter Fanganiello Maierovitch e como se conduzirão, caso sejam eleitos. Há algo de novo entre entre nós e a Itália

Wálter Fanganiello e Silvana Rizzioli

Certamente os turineses devem gostar de dizer que sua cidade é a única, em todo planeta, a possuir uma pista de testes para carros sobre o quinto andar de um prédio intitulado Edifício Lingotto. A pista, oval, mede 494m de comprimento por 85 de largura. Não se trata de uma extravagância, como pode parecer ao primeiro olhar.  O prédio, inaugurado em 1923, foi a primeira fábrica da FIAT e a habilidade do arquiteto Giácomo Matte-Trucco ali instalou uma linha de montagem ascendente que terminava no teto. O automóvel saia ao ar livre pronto para ser testado. Nada mais prático (*).

Naturalmente, como turinesa, Silvana Rizzioli pode lembrar que Turim também tem o envaidecedor atributo de haver sido anexada ao império romano por Augusto (63 aC-14 dC), o homem que implantou a célebre Pax Romana no mundo de então. Que a cidade tem um magnífico acervo da cultura barroca. Ou que Turim se apresenta hoje como um avançado centro de cultura e de vanguarda tecnológica. Porém, Silvana tem uma razão particular para proclamar as outras excelências mencionadas de Turim, capital do Piemonte, 910.188 habitantes, mencionadas no início do texto. Ela desenvolveu uma proveitosa trajetória no Grupo Fiat, conforme informa seu rico vasto currículo anexo. A rigor, Silvana  aprendeu a dividir seu coração com Turim, São Paulo e Belo Horizonte, sempre ao lado do marido, Valentino Rizzioli, ambos a serviço Grupo Fiat.

Nesta entrevista Silvana Rizzioli  explica porque aceitou, com entusiasmo, fazer parceria com o desembargador Wálter Fanganiello Maieorovitch nas eleições de março. Salta aos olhos a coincidência das duas candidaturas. Ambos jamais pensaram em ser políticos. Mas decidiram fazer a tardia estreia em nome de um desafio que floresceu ditado pela sensibilidade daqueles que pressentem as necessidades sociais ao seu redor.

(*) A pista aparece com destaque no filme “Um golpe à italiana” (1969), do diretor inglês Peter Collinson. É uma boa oportunidade de ver os queridos atores italianos Ralf Valone e Rossano Brazzi em ação. Particularmente Rafaele Vallone, com aquele eterno ar de latin lover,  que compra um raminho de violetas de Sarita Montiel em “La Violetera” numa noite festiva de inverno em Madri.

Hoje o edifício é um movimentado centro comercial. 

Silvana Rizzioli, candidata ao Senado.

A senhora apresenta uma trajetória perfeitamente satisfatória e realizada, tanto pessoal como profissionalmente. Por quê entrar na Política?

SR – Eu acredito sinceramente que devemos ser conduzidos pelos nossos sonhos e consciência. A minha história de vida é voltada para o bom desenvolvimento das pessoas e das organizações. Sempre procurei cultivar uma perspectiva evolutiva, vamos dizer assim. Nesse contexto, surgiu a oportunidade de construir algo através da Política.

 Embora sejam essenciais para o funcionamento da Democracia, as instituições políticas sofreram e sofrem enorme desgaste. A menção da oportunidade indica que houve ao motivação não descortinada antes. Qual foi?

SR – O fato de o convite ter partido do desembargador Wálter Fanganiello Maierovitch.  Sua personalidade, forma de agir, e  história foram fundamentais para entender os seus propósitos. Nossos princípios coincidem e a sua credibilidade me convenceu e motivou. Portanto, nossas candidaturas se baseiam na legitimidade, credibilidade e honestidade de princípios. Este lastro é essencial para propiciar uma atuação parlamentar produtiva, caso sejamos eleitos, pois acredito, sem qualquer vaidade maior, que saberemos o que fazer.

Acredito também que acumulamos uma boa experiências e temos uma proposta de trabalho tangivél e eficaz , que deve ser apresentada para que os eleitores avaliem se merecemos sua confiança e esperança.

Por outro lado, a presença do magistrado Pietro Grasso como presidente do partido “Lista Liberi e Uguali”, por tudo aquilo que ele é pelo seu desassombro ético e sua proposta política conciliadora  apenas ampliou a minha satisfação em participar dessa eleição.

A prioridade do desembargador é o combate ao crime organizado e à corrupção transnacionais. Não por acaso, sua candidatura foi estimulada por magistrados e jornalistas italianos. A senhora tem uma longa folha de serviços na busca de aperfeiçoamentos profissionais inovadores e de competitividade sadia de empresas em favor em favor de uma sociedade mais qualificada. Mas chama particularmente a atenção sua atuação com jovens Como traduzir isto numa campanha eleitoral na qual, convencionalmente, há acúmulo de promessas nem sempre cumpridas?

SR – Neste caso é melhor recorrer aos exemplos e referências. Criei o Instituto Internacional de Competências Empresariais que tem parceria com mais de 90 universidades. Esta experiência remete à possibilidade de se estabelecer acordos com universidades italianas e europeias para ampliar as oportunidades de discentes italianos da América Latina. Ou a abertura de novos cursos de formação acadêmica com dupla titulação e validação na eurozona. No caso específico dos jovens cidadãos italianos da América Latina, é importante fazê-los compreender, e ás suas famílias, que a Itália pode lhes oferecer um sistema promissor de oportunidades. Como cidadãos italianos, assim é que devem vê-la. O jovem, hoje, também quer ser cidadão do mundo. É preciso esclarecer que a aproximação com a Itália não são somente os estereotipos como exemplo pizza e futebol, mas sim a interação com o Sistema Itália na esfera econômica, comercial e industrial,  cultural e da pesquisa e  a diplomacia da inovação. Reafirmo que, através da via parlamentar, chegaremos a bons resultados e que a parceria constrói essa ponte.

Esta linha de campanha está fugindo completamente dos procedimentos tradicionais, daquilo que se conhece. A senhora não teme se mal compreendida?

SR – Não, porque não existe a tentativa de convencer apenas para receber votos e conquistar cadeira no Parlamento. A nossa campanha, numa perspectiva de vitória, se apoia em três pontos. 1) credibilidade dos candidatos; 2) plano de desenvolvimento dos cidadãos italianos da América à sombra do mencionado Sistema Itália; 3) estabelecimento de alianças estratégicas com o governo italiano e instituições brasileiras em favor dos dois povos. A verdade é que Brasil e Itália não conhecem as respectivas realidades. O trabalho consiste em ajustá-las e explorá-las.

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