“O homem certo na hora certa” – Pedro Pinciroli

O empresário e ex-diretor supritendente da Folha de S. Paulo, fundador do Uol e ex-presidente da Associação Nacional dos Jornais, engenheiro Pedro Pinciroli Júnior, 73 anos, já teve seus dias de Pelé. Porém, diferentemente do Rei, que tratava a bola com os pés, em gramados, Pedro o fazia com as mãos, nas piscinas(*). Porém,  pela sua trajetória e informações de época da crônica esportivas especializada, mantinha idêntica regularidade qualitativa para marcar gols. Não estranhem, portanto o alongamento desta apresentação.

Pelé em ação no ano de 1959, marcando um dos gols mais bonitos de sua carreira

A julgar pelo alarido produzido, se houvesse algo semelhante à Fiel assistindo às partidas; se existisse algum Nelson Rodrigues para escrever a respeito de suas performances tipo “À sombra dos respingos imortais”(**), e se Pedro pudesse pedir música no “Fantástico,” teríamos uma consagração a cada semana. Não é difícil deduzir que ele  era um craque diferenciado do pólo aquático. Vestiu apenas duas toucas na sua carreira – clubes Tietê e Paulistano, ambos de São Paulo – e talvez tenha perdido a conta das vezes em que foi campeão brasileiro.

No entanto, o tópico mais vistoso do seu currículo foram as participações nas Olimpíadas de Tóquio (1964) e México (1968), defendendo a seleção Brasileira de pólo aquático e na equipe All Stars Team, seleção mundial da modalidade, organizada pela Federação Internacional de Natação para fazer exibições especiais pelo mundo. Mereceu uma segunda distinção comprovadora do reconhecimento que lhe é dedicado: esteve nos jogos de Munique (1972) a convite do Comitê Olímpico Internacional, embora o Brasil não estivesse no pólo aquático.  Aliás, nessas duas últimas edições, Pedro foi uma testemunha privilegiada da História: na Cidade do México viu o movimento “Panteras Negras” se mostrar ao mundo na luta pelos direitos civis dos afro-descendentes nos Estados Unidos e, na capital da Bavária, o chocante massacre dos atletas judeus que escancarou ao mundo o terrorismo jihadista.  Entre os vários atributos que respondem pela união da família e o casamento longevo, Pedro pode colocar o pólo aquático entre eles. A mulher, Olga Alice, embora tenista, sempre militou a seu lado e Cristiana, a filha, é um raro caso de que a criatura esteve à altura dos criadores. Despontou no Brasil e foi por três anos jogadora da seleção italiana. E, duas vezes, foi convocada pelo All Stars Team feminino de pólo aquático.

Rumo à vitória – A menção da família faz lembrar que sua gente, leia-se o avô Cezare e a avó Giovanella vieram respectivamente do Piemonte e da Lombardia. Em principio, a única coisa que a família liga ao pólo aquático é a habilidade manual, pois Cezare, o avô, e Pedro, pai, eram respectivamente relojoeiro e joalheiro, obrigados, portanto,vieram  a ter mãos eficientes e obedientes.

A amizade e a admiração mútua entre Pedro Pinciroli Júnior e o desembargador Walter Fanganiello Maierovitch, também nasceram com o pólo aquático. Os dois jogaram juntos por muitos anos na equipe vermelha e branca do Clube Atlético Paulistano. Seria embaraçoso proclamar as virtudes do desembargador na piscina, uma vez que leigos não devem se manifestar sobre assuntos especializados. De modo que essa avaliação fica sob responsabilidade de Pedro Pinciroli Júnior, no depoimento abaixo, em apoio à sua candidatura ao Parlamento italiano como deputado. Evidentemente, Pedro não pretende que Walter vá dar bons passes para os colegas em plenário, conforme fazia como armador de jogadas na piscina.  Deseja fazer apenas uma analogia com o proveitoso objetivo que deve prevalecer na prática de um esporte coletivo: somar todo o esforço, conhecimento e talento individuais ao idêntico acervo de outros, em favor da vitória comum. A convivência lhe mostrou que Walter está bem treinado.

“Acredito que uma das melhores formas de conhecer um ser humano é através dos seus procedimentos num esporte coletivo. Características psicológicas e emocionais, favoráveis ou não, afloram quando nós estamos atuando em equipe, na qual se busca alcançar um objetivo comum. Nesse processo não há lugar para se colocar interesses pessoais sobre os do grupo ou adotar vaidades pessoais fúteis. A meu ver, trata-se de uma analogia adequada com as sociedades humanas nas quais conquistamos vitórias e enfrentamos derrotas; passamos por comemorações e decepções. Aprendemos, no calor da competição, a descobrir virtudes e defeitos nos companheiros e em nós mesmos. É importante destacar que o pólo aquático é o terceiro esporte mais complexo, considerando o grau de dificuldades para praticá-lo. (***) Suponho que essa circunstância valoriza e dimensiona mais o  conteúdo do qual estamos falando.

Não é difícil elencar os atributos de Walter para ser um eficiente deputado no Parlamento italiano. Eu o conheci no  esporte coletivo. Por oito vezes, fomos campeões brasileiros de pólo aquático pelo Clube Atlético Paulistano, de São Paulo.  Nessa longa convivência eu me vi frente a frente com um atleta perseverante e extremamente disciplinado.  Também descobri que, no trabalho em equipe, era um estrategista e respondia de imediato as dificuldades surgidas com decisões firmes. Devido a essa maneira de ser, fazia muita diferença dentro da piscina. Nesse sentido, minha admiração se consolidou porque aprendi  que atitudes assumidas na prática de um esporte podem ser perfeitamente transferidas para o jogo da vida. (****)

Por outro lado, ele tem um caráter forte, o que é bom para um ser humano defender causas que acredite justas. E soma um acervo de idoneidade e capacidade profissional testada na magistratura. Tenho várias certezas sobre ele. A primeira é de que certamente ouvirá seus representados, vai acrescer estratégias, vai fazer e acontecer porque é um excelente articulador. Melhor ainda: sua biografia lhe dá legitimidade para isso. Vai melhorar o intercâmbio entre jovens do Nosso país e Itália; vai atuar firmemente na rede consular em favor dos ítalo-sul americanos. Vai olhar pelas boas relações econômicas entre os dois países. Estreitará a identidade cultural ativando programas bi-laterais e os já existentes. Mas, sobretudo, no macro, atuará na sua especialidade para combater a corrupção e o crime organizado transnacionais. Aquilo que realmente me entusiasma nessa eleição, é que a sua candidatura está perfeitamente harmonizada com o momento que Brasil, Itália e o mundo estão vivendo no qual cresce a consciência da transparência e da moralidade. Existe uma conjunção favorável de fatores para alguém como ele.

É o homem certo na hora certa”.

(*) Segundo Walter, à semelhança de Pelé, que teve aquele gol inesquecível contra o Juventus, Pedro Pinciroli Júnior marcou o dele numa partida contra o Pinheiros. Como era de seu feitio na arte de criar esquivas e negaceios no exíguo tempo de finalizar a jogada permitido pelas regras, deslocou definitivamente o goleiro para ‘chutar’ no gol. Convém lembrar que a baliza tem três metros de comprimento por 90 cm de altura.   Um homem de corpo atlético, como são os goleiros, pode tapar todos os ângulos.

O gol de Pelé ocorreu em 2 de agosto de 1959, domingo, na Rua Javari. Ele “chapelou” dois ou três defensores do Juventus, o goleiro Mão de Onça e completou de cabeça.

(**) Com seu sempre magnífico e criativo texto, Nelson escreveu o livro “À sombra das chuteiras imortais”, alusivo ao futebol.

(***) – Três regras básicas do pólo aquático resumem o alto poder de concentração necessário aos jogadores: não segurar a bola com as duas mãos e nem afundá-la; não tocar com os pés o fundo da piscina; limite de 30 segundos para permanecer com a bola.

(****) No futebol, há dois modelos lendários de resposta imediata e personalidade em campo na adversidade, ambos na final do campeonato mundial na Suécia, quando o Brasil foi campeão pela primeira vez. Didi: aos 4 minutos de jogo, a Suécia abriu a contagem. Didi apanhou a bola no fundo do próprio arco e, com ela debaixo do braço, caminhou em passos firmes para o meio do campo, anunciando determinação e tranqüilidade. Pelé: quando o Brasil partiu para o ataque, com os braços ao ar, ele  pedia bola, chamando o jogo para si. Tinha apenas 17 anos.

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