“Abracei a sua intenção” – Domingos Sanches

A utilização deste espaço foi inesperadamente alterada devido a uma curiosa descoberta que fugiu do tema prioritário. Em principio, deveria conter, imediatamente na sua abertura, o apoio do advogado Domingos Sanches à campanha do desembargador Walter Fanganiello Maierovitch ao Parlamento italiano como deputado. É assim que convém a qualquer texto de caráter informativo: a principal notícia em primeiro lugar! Porém, Dr. Sanchez é presidente do Clube Atlético Juventus e isto exigiu algumas notas relativas ao simpaticíssimo “Moleque Travesso” da Mooca para enriquecer sua manifestação, que provocaram a modificação referida. É agradável imaginar que a coincidência cromática a ser mostrada a seguir, possa ter algo de místico. Neste caso, é necessário convocar São Genaro, pois ele tem parte nela. Trata-se daquele bispo italiano santificado, da igreja católica e ortodoxa,  martirizado pelos romanos no século III.   Sua igreja  em São Paulo (Rua da Mooca, 950)  é a única do Brasil. Nasceu da veneração dos imigrantes e hoje ficou internacionalmente conhecida em razão da concorrida festa anual de “Festa de San Gennaro”, que, aliás, começa no dia 9 de setembro e vai até 10 de outubro, na qual a culinária italiana propicia uma festa para os olhos e paladar. São Genaro, além de Nápoles, é também padroeiro do Clube Atlético Juventus. E aqui começa a descrição da nossa descoberta, digamos assim, celestial.

A cor do vinho – A camisa do Juventus é avinhada. Alguns preferem dizer grená.  Como é bem sabido, a escolha teve origem em 1930, quando o clube, então amador e batizado de Cotonifício Rodolfo Crespi FC desde sua fundação, em 1924, passou a ser seu nome atual. O conde Crespi, dono da fábrica, sugeriu Juventus, de Turim, mas esbarrou no problema das suas cores: preto e branco. Já havia muitos times de São Paulo, o Juventus seria mais um. Então o conde, salomonicamente, sugeriu o grená, que era o outro clube de grande torcida da mesma Turim: nome de um, cor de outro. É de se perguntar como o Conde Rodolfo Crespi (1874-1939) proprietário de uma indústria têxtil de 50 mil m² e seis mil funcionário, tinha tempo para se meter com cor de camisa de futebol… Mistérios do capitalismo.

A semelhança de outros santos de grande devoção, São Genaro foi pintado por quatro grandes mestres da pintura. Os italianos Michelangelo Merisi Caravaggio(1571-16210), “San Gennaro mostra sua reliquia” Coleção Morton B. Harris, EUA; Andrade Vaccaro (1604-1670), “Gloria de San Gennaro, Museu do Prado e Girolamo Pesce (1679-1759), “Martirio de San Gennaro”, Biblioteca do Bispado de Vác, Hungria;  e o espanhol José de Ribera (1591-1652)”San Gennaro sai ileso do fogo”, Capela do Tesouro de San Gennaro em Nápoles e “San Gennaro em glória”, Convento das Agostinas der Salamanca.

São Genaro in gloria (Jose de Ribera)
Gloria di S. Gennaro, XVII sec. Museo del Prado, Madrid (Andrea Vaccaro)
Martirio de São Genaro (Girolamo Pesce)

 

 

 

 

 

 

 

Em todas essas pinturas, surpreendam-se, São Genaro aparece vestido com o manto ou o hábito na cor avinhada, em tons mais ou então menos acentuados. Como não conseguimos obter informações sobre a coincidência, preferimos acreditar que São Genaro, premonitoriamente, já se previa e se anunciava juventino. Passemos agora ao depoimento do presidente Domingos Sanches.

“Por duas vezes eu fui presidente da seção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), na Vila Prudente, aqui na zona leste de São Paulo. Essa atividade, associada à nossa afinidade profissional despertaram meu interesse pela figura do desembargador Walter Fanganiello Maierovitch. Lia seus artigos nos jornais, ouvia suas participações regulares na rádio CBN , acompanhava suas entrevistas sobre Direito, particularmente sob o foco da luta contra a corrupção e o crime organizado e tudo isso foi formando uma avaliação muito boa sobre ele. Suas manifestações sempre se caracterizavam pelo sólido conhecimento do Direito e extrema razoabilidade e clareza, acompanhada de uma conduta ética facilmente perceptível.  Um outro fator da empatia estabelecida foi aquilo que chamaria de identificação italiana. Sou descendente de espanhóis por parte de pai e de italianos, pelo lado da mãe. Posso confessar que em mim, como parece ser no caso do desembargador, predominou a influência italiana. Não por acaso aqui estou, na presidência do Juventus, que é um clube tipicamente italiano e que sempre fez parte de minha vida. Essas reminiscências me fazem lembrar de Dona Eufêmia, minha avó, que, acredito, passou essa ‘italianidade’ para mim e meus irmãos.

Quando fui informado sobre o projeto do desembarcador de ser deputado pelo Parlamento italiano, abracei sua intenção. Não me preocupei em conhecer suas propostas, pois a sua própria postura pública já recomendava. Fiquei satisfeito em saber outros apoiadores têm a mesma visão e perspectivas semelhantes. Acredito que um homem de bem se faz, além das suas idéias e posicionamentos, pela sua prática e obras.

Um profissional sempre tem melhores recursos para avaliar as virtudes de um colega de profissão, tanto na atividade em si como na conduta do ser humano. Terei imenso prazer em vê-lo ocupando uma cadeira no Parlamento da Itália”.

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